Superman - HQs - Quadrinhos

Superman – O que aconteceu ao Homem de Aço?

Olá amigos.

Meu nome é Alexandre Simões e sou grande fã de histórias em quadrinhos. Fui convidado pelo amigo Fernando Souza (o editor deste site) para fazer uma coluna sobre quadrinhos. Aceitei na hora, pois esse é um assunto que eu gosto muito – poderia falar horas sobre eles.

Mas devido a correria do dia-a-dia, trabalhar, pagar contas, dar conta de tudo que acontece em nossas vidas, às vezes pode ser difícil de conseguir tempo para fazer qualquer coisa, mesmo que falar de algo que se ame.

Após conseguir um tempo, veio a dúvida: com tanta coisa para se falar sobre HQ’s, qual seria o primeiro post? Falar sobre o quê? Qual personagem falar? Dúvidas, questões etc.

Então, vendo em minha coleção de gibis vi “saltar” das prateleiras o encadernado Superman – O que aconteceu ao Homem de Aço?

Sim, é com esta grande pérola da Nona Arte que iniciarei meus posts. Nada melhor que começar com o primeiro super-herói. Criado em 1938 por Jerry Siegel e Joe Shuster foi o primeiro herói com poderes. Claro que existiam heróis como Doc Savage, Mandrake e o Fantasma, mas todos eles eram apenas humanos.

No caso do Superman, ele não era humano e, sim um alienígena com grandes poderes como voar (no início ele apenas dava grandes saltos por cima de prédios, mas que depois veio a ter o poder de voar), superforça, visão de calor e microscópica, etc. Praticamente invencível. Seus autores alguns anos depois confessaram em entrevista que queriam criar um personagem que pudesse servir de exemplo, visto que os EUA passavam pela grande depressão dos anos 30 e nada melhor que levantar a moral da população criando um ícone do modo americano de vida, o Superman.

Durante 50 anos os aficcionados por HQs virão o personagem passar por altos e baixos, e gerações foram criadas lendo o grande ícone pop do gibis. O grande problema é que durante todos estes anos foram criados vários Universos e cópias dos heróis como Superman, Batman, Mulher-Maravilha, etc, terem vidas distintas em cada um dos Universos paralelos, o que acabava tornando a leitura um pouco confusa para quem estava iniciando a ler as HQs dos personagens da DC Comics. E até para os mais antigos
leitores, que se não acompanhavam mensalmente as aventuras, tornava-se difícil de manter a atenção.

Pensando nisto, a DC Comics resolveu então criar um mega evento chamado Crise nas Infinitas Terras (post para um outro dia), onde iria “zerar” os vários Universos e haveria apenas uma Terra, existindo em um só universo habitado (na maior parte dos casos) apenas uma versão de cada personagem; ao contrário do que vinha sendo feito com os heróis.

Este seria a última história do herói kriptoniano, onde encerraria 50 anos de aventuras para dar espaço a um novo universo, onde todos os heróis da DC teriam suas origens recontadas para facilitar a vidas dos novos leitores.

O então editor Julius Schwartz ficou encarregado de levar ao público o que seria a última aventura do Superman. Ele então convidou ninguém Jerry Siegel (co-criador do personagem) para criar o roteiro deste épico. Por conta de sua agenda, Siegel não pode aceitar. Este serviço acabou caindo nas mãos do britânico Alan Moore (nem preciso apresentá-lo, eheheh!), que naquela época já vinha fazendo sucesso nos EUA com histórias do Monstro do Pântano.

Com o roteirista definido, Julius pensou de imediato para os desenhos ninguém menos que Curt Swan, ou seja, o desenhista que vinha trabalhando com o Superman nos últimos 30 anos, ajudando a definir o que o Superman era até aquela ano (1986) e posso dizer que este senhor fez reflete até hoje na mitologia do personagem. E para finalizar a arte deste grande gênio, nada menos que George Pérez (o ilustrador de Crise nas Infinitas Terras e do grande encontro dos anos 2000 entre Liga da Justiça e Vingadores).

O que impressiona na história é que o roteiro de Alan Moore condensa tudo o que de melhor aconteceu desde a criação do personagem nos anos 30 até meados dos anos 80, respondendo as perguntas que se esta fosse a última história, o que aconteceria com Clark Kent, Lois Lane, Lana Lang, Jimmy Olsen, Perry White e seus maiores inimigos, como Lex Luthor e Brainiac. O mais interessante neste roteiro de Alan Moore é que quando você pensa que já sabe quem é o vilão (ou quem são os vilões), o escritor cria
um reviravolta e nos surpreende com a apresentação de um vilão que, no mínimo, ninguém espera.

O fim dessa história é digna deste grande personagem e não poderia ser escrita por ninguém menos que Alan Moore e magistralmente desenhada por Curt Swan, uma lenda nas HQs que desenhou por nada menos que 30 anos o “Homem de Aço”.

Essa HQ serviu como “final” para o herói de uma geração e o início de outras, pois John Byrne estava criando um “novo começo” para o Homem de Aço em 1986 e vimos que outros começos foram criados, mas esta HQ foi essencial para demonstrar a força desse ícone dos gibis.

Neste mesmo encaderno vemos outras duas grandes histórias, sendo roteirizadas por Alan Moore.

Superman e Monstro do Pântano vemos o herói contra um inimigo extraterrestre e sem nenhuma defesa contra ele. Somente com a entrada do Monstro do Pântano, o herói de aço consegue apoio para conseguir vencer uma batalha em que estava quase perdendo.

E a última e não menos importante história temos”Para o Homem que tem tudo” onde Batman, Robin e Mulher-Maravilha vão até a Fortaleza da Solidão comemorar o aniversário do Super, mas se deparam com ele em estado catatônico e o vêem imóvel. Neste interim descobrem que o vilão Mongul está por trás de tudo.

Enquanto a Mulher-Maravilha combate o vilão e Batman e Robin tentam salvar o Homem de Aço, Superman se vê diante de uma situação em que ele não está acostumado.

Com um roteiro bem estruturado vemos que o personagem imagina uma situação em que nos perguntamos o que um personagem com o poder de dividir o mundo em dois poderia querer. A resposta não poderia ser mais simples, mas quem disse que o simples é o mais fácil? Com isto em mente, Moore constrói o que para mim é a melhor história do Superman e, mesmo tendo lido nos anos 80, ainda me lembro bem dela até hoje.

Para quem é fã do Superman e de boas histórias, não pode deixar de ler este encadernado da Panini.

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1) Superman – O que aconteceu ao Homem de Aço?

Roteirista: Alan Moore
Desenhista: Curt Swan
Arte-finalista: George Pérez
Editor Original: Julius Schwartz

2) Superman & Monstro do Pântano

Roteirista: Alan Moore
Desenhista: Rich Veitch
Arte-finalista: Al Williamson
Editor Original: Julius Schwartz

3) Para o Homem que tem tudo

Roteirista: Alan Moore
Desenhista: Dave Gibbons
Arte-finalista: Tom Ziuko
Editor Original: Julius Schwartz