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Steam OS: monte seu próprio videogame

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Lembro de ter lido, há alguns anos, um especialista dizer que o futuro dos videogames seria mais sobre software do que hardware. Tentei encontrar o artigo ou entrevista, sem sucesso, mas o fato é que a Valve parece concordar com ele.

Antes de mais nada: para quem não conhece, a Valve surgiu como uma desenvolvedora de jogos, a começar pelo bem-sucedido Half-Life. Depois, lançou um misto de loja e gerenciador de games chamado Steam, que já tem mais de 50 milhões de usuários. É uma das mais relevantes empresas do segmento de entretenimento eletrônico (boatos dão conta que a Electronic Arts tentou comprá-la por US$ 1 bilhão). Mas ainda não chama tanto a atenção como Microsoft, Sony e Nintendo… por enquanto.

Ontem, a Valve anunciou uma plataforma de games baseada no sistema operacional Linux. O SteamOS poderá ser baixado gratuitamente, assim que for lançado nos próximos dias. E poderá ser instalado em qualquer computador. O propósito da empresa é fazer com que os usuários instalem seu software em uma máquina acoplada na TV da sala de estar. Assim, eles terão acesso a todo o acervo de games para PC em um ambiente dominado por Xbox, Playstation e Wii.

A empresa anunciará nos próximos dias o já antecipado SteamBox, um console que certamente utilizará o SteamOS. Mas o hardware perdeu muito a relevância a partir de agora. É quase como se Microsoft, Sony e Nintendo liberassem os firmwares (algo como o sistema operacional dos videogames) de suas plataformas para que os usuários baixassem e instalassem em qualquer computador… totalmente de graça e sem as amarras dos consoles.

E mais do que isso: a Valve ainda não soltou a configuração mínima necessária para instalar o SteamOS. Mas a plataforma certamente dará liberdade para o usuário montar o seu videogame de acordo com o seu orçamento. Ele pode comprar um computador parrudo ou, então, pegar aquela máquina que já está em segundo plano e adaptá-la para o SteamOS, desde que atenda os requisitos mínimos. Ou ainda instalá-lo como um sistema operacional adicional no notebook. Ou seja, o consumidor terá total flexibilidade para montar o seu próprio modelo.

A primeira dúvida que surgiu, pelo menos para este blogueiro, é se o SteamOS rodaria jogos para Windows, plataforma da maioria esmagadora os títulos disponíveis. Afinal, ele é baseado em Linux. Pois a resposta é sim: a plataforma rodará tais jogos por streaming, desde que eles estejam instalados em outro computador com Windows. Significa o seguinte: o usuário jogará no SteamBox, que enviará as informações para o Steam instalado no computador com Windows. A jogatina é processada e devolvida para o SteamBox como se fosse uma transmissão de TV.

Parece complicado, mas rodar jogos em um computador remoto, esteja ele na própria casa ou nos servidores de uma empresa em outro país, é uma das tendências mais sugeridas para o futuro dos videogames – exemplo: a Sony comprou uma empresa chamada Gaikai, especializada em jogatina “nas nuvens” e vai utilizar sua tecnologia no vindouro Playstation 4 – para rodar jogos do PS3, remotamente. A OnLive, nome mais conhecido do segmento, roda até aplicativos do Office.

E não pense que o SteamOS ficará limitado aos computadores. Gratuito e de código aberto, nada impede que ele seja instalado em outros dispositivos, tais como aparelhos de TV. E nada impede que uma empresa se especialize em desenvolver seus próprios videogames baseados no SteamOS. Este (bom) artigo em espanhol compara-o ao Android, do Google, que já é o sistema operacional para smartphons e tablets mais instalado no mundo.

O SteamOS também abre caminho para que a Valve comece a explorar outros segmentos da industria do entretenimento. A empresa anuncia que está trabalhando com vários serviços de música, filmes e televisão para levar também este conteúdo para sua nova plataforma. Assim, adota uma estratégia muito parecida com a da Microsoft, que converteu o Xbox de um videogame em uma central de entretenimento doméstico.

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